Tokenização Com Colateralização Sintética E Precificação Integrada
Nos mercados de crédito privado, os recebíveis são a base das operações estruturadas. No entanto, a maior parte da infraestrutura ainda opera fora da cadeia com planilhas, e-mails e arquivos PDF. Isso gera atrasos na liquidação, inconsistências nos critérios de elegibilidade e relatórios manuais propensos a erro.
Através de contratos inteligentes (Smart Contracts) e colateralização sintética on-chain, pode-se trazer esses recebíveis para um ambiente programável, transparente e auditável, sem mudar completamente os processos tradicionais de originação e cobrança.
Mas para que esse sistema funcione de forma eficaz, é crítico integrar um mecanismo de precificação fora da cadeia (off-chain) que permita recalcular e atualizar o valor do ativo em tempo real.
O que é Colateralização Sintética?
Na colateralização sintética, um recebível (como uma fatura ou contrato de crédito) é registrado em um Smart Contract e usado para emitir tokens que representam seu valor presente sem que o originador (ou o fundo após uma cessão) precise alocar dinheiro como garantia. Os tokens são emitidos (“minted”) diretamente no contrato inteligente em escrow para representar o valor presente do recebível.
Esses tokens são vendidos a investidores, que recebem o pagamento (ou absorvem perdas) quando o ativo é liquidado. Uma fatura em papel é transformada em um ativo digital programável, garantido por direitos econômicos, não por saldo em caixa.
Ciclo de Vida de um Recebível Tokenizado
A seguir, detalhamos o ciclo completo de vida de uma tokenização de recebível com precificação dinâmica integrada:
1. Originação do Recebível (Fora da Cadeia)
Um fornecedor (originador) emite uma fatura para um cliente (devedor) com vencimento no futuro. Tudo acontece fora do blockchain, baseado em contrato físico ou eletrônico, porém em seguida este evento off-chain será ancorado on-chain.
2. Registro On-Chain
O originador (ou fundo, ou securitizadora) registra o recebível em um smart contract. Aqui o smart contract tem implementado uma função que permite logar quem é o originador, o vencimento, valor de face e outros dados do recebível. Agora esse recebível está registrado na blockchain, com carimbo de data e hora e visibilidade pública.
Esta fase substitui planilhas e e-mails por um histórico imutável e auditável
3. Emissão de Tokens com Precificação Dinâmica
Antes de emitir os tokens, o sistema consulta um mecanismo de precificação fora da cadeia, que avalia o valor presente do recebível. Para um recebível bullet prefixado a conta é simples, porém o sistema de precificação deve ser sofisticado para poder calcular o valor presente de créditos privados com fluxos de caixa complexos.
Após o cálculo do valor presente, propaga-se este valor automaticamente para a emissão de tokens diretamente no contrato. Por exemplo, se o valor presente é 96% do valor de face, o contrato emite 9600 tokens. O Contrato Inteligente deverá ter uma função de colateralização que faz um “mint” de 9600 tokens para representar o valor do recebível.
Além de uma função de colateralização inicial, o contrato deve prever um função de marcação a mercado, onde valores presentes acima do atual colateral resultam em emissão (“minting”) de tokens incrementais e decréscimos em “burning” de tokens. Assim, o valor do ativo evolui conforme o risco, sem depender de processos manuais.
4. Alocação Proporcional a Investidores
Vários investidores compram os tokens de forma proporcional fora da cadeia ou através de uma dApp.
Esses tokens representam participações nos direitos econômicos do recebível e substituem planilhas de controle de cotistas por saldos on-chain confiáveis
5. Liquidação no Vencimento
No vencimento, o devedor realiza o pagamento ao originador/fundo fora da cadeia e o processo se propaga para a cadeia através de uma função de liquidação do contrato inteligente, onde o valor pago fora da cadeia (que pode ser integral ou parcial devido a inadimplência) se reflete em transferência de tokens para os investidores com potencial queima (“burning”) caso haja inadimplência parcial
O sistema distribui valor e perdas automaticamente, com rastreabilidade, diferente de controles fora do blockchain.
A tabela abaixa traz as vantagens de usar Blockchain + Precificação Dinâmica vs controles de vida útil fora da cadeia:
| Recurso | Sistema Tradicional | Blockchain com Precificação Integrada |
| Auditoria | PDFs e emails manuais | Ledger público com carimbo e data. 100% rastreável |
| Liquidaçāo | Propensa a erro humano | Automatizada/Codificada no contrato inteligente |
| Precificaçāo | Estática, baseada em excel | Atualização via API e modelo de risco |
| Contabilidade do Investidor | Manual | Baseada em saldos on-chain |
| Alocacao de Perdas | Ambigua | Tranparente e proporcional |
| Relatorios Regulatorios | Trabalho Intenso | Exportável em tempo real |
Conclusão
Tokenizar recebíveis, aliado a um mecanismo integrado de precificação confiável e em tempo real é o que garante a fidelidade do sistema ao risco real de crédito.
Ao combinar:
- Tokenização de recebíveis
- Colateralização sintética
- Precificação integrada via API
- Lógica on-chain para liquidação
Constrói-se uma plataforma de crédito privada que elimina planilhas, reduz o risco operacional e traz eficiência institucional para o mundo on-chain.
Gestores. securitizadoras ou os próprios originadores podem escrever e compilar o contrato inteligente na própria plataforma da Everysk e se beneficiar de automações plug-and-play para fazer o deploy dos contratos e tokens no blockchain, precificadores integrados para fazer a marcação a mercado e rotinas de liquidação, tudo sincronizado entre on-chain e off-chain
A Everysk possui uma solução para automatizar todo o processo, da precificação do colateral, atualização on-chain do valor dos tokens à geração de P&L com distribuição de liquidação por investidor.
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